Saiba mais sobre República Populista

No Brasil, o período entre os anos de 1945 e 1964 ficou conhecido como República Populista ou Quarta República Brasileira. A característica mais relevante desse período foi o fato de ser precedido e sucedido por períodos ditatoriais, respectivamente: Estado Novo e Ditadura Militar. 

A política na República Populista

Durante o Estado Novo (1937-1945), o pluripartidarismo foi proibido e no início da República Populista retornou. Getúlio Vargas, o então presidente, decretou algumas reformas, objetivando se manter no poder. Havia forte pressão para que Vargas renunciasse ao cargo. O Ato Adicional permitiu que diferentes partidos políticos existissem, os três maiores eram: 

União Democrática Nacional (UDN)

Partido conservador e dentro do espectro político da direita. 

Partido Social Democrático (PSD)

O maior partido da República Populista, o PSD, foi criado pelos antigos interventores de Vargas. 

Partido Trabalhista Brasileiro (PTB)

Esse foi o partido criado por Getúlio Vargas com o objetivo de se manter próximo das massas. No decorrer do período da Quarta República, adotou um projeto de centro-esquerda. 

Em todos os processos eleitorais desse período, houve grande destaque para esses três partidos. Nos anos de 1945 e 1955, os vencedores foram candidatos da chapa PTB/PSD. Em 1950, o pleito foi vencido pelo candidato do PTB e em 1960 a vitória foi de um candidato da UDN. 

República Populista: principais acontecimentos

Dois pontos bastante marcantes desse período foram o forte processo industrial pelo qual o Brasil passou (especialmente durante o governo JK) e o grande salto da população urbana.

Problemas no campo obrigaram a população rural a migrar para os grandes centros urbanos. O processo de mudança do âmbito rural para o urbano acarretou em uma profunda tensão social, algo que acentuou problemas graves da sociedade. 

Dentre esses problemas podemos citar falta de moradia, dificuldade de acesso à alimentação e a educação. Todas essas questões contribuíram para potencializar as desigualdades sociais no Brasil. As camadas menos favorecidas da sociedade se uniram a movimentos sociais. 

Presidentes da República Populista

A Quarta República se estendeu por um período de 19 anos, de 1945 a 1964. Os presidentes desse período foram: 

Eurico Gaspar Dutra (1946-1951)

Na eleição de 1945, o general Eurico Gaspar Dutra saiu vencedor, contando com o apoio de Getúlio Vargas. Dutra realizou um governo conservador e pautado por uma política liberal, que não trouxe os resultados esperados.

Esse governo também empreendeu forte perseguição aos comunistas. Em 1947, o Partido Comunista Brasileiro foi fechado e houve o rompimento de relações diplomáticas entre o Brasil e a União Soviética. 

Getúlio Vargas (1951-1954)

Em 1951, Getúlio Vargas retornou à presidência do Brasil, porém, dessa vez de forma democrática. Esse governo ficou marcado por intensa agitação política e pela tentativa de implantar uma política de desenvolvimento econômico com viés nacionalista. Objetivava-se maior intervenção do estado na economia. 

O principal símbolo dessa política foi a criação da Petrobrás, empresa estatal com o monopólio de exploração do petróleo desde 1953. Uma forte crise política se abateu sobre o governo devido à mobilização de grupos conservadores liderados pela UDN. O principal adversário político de Vargas era o jornalista Carlos Lacerda. 

O aumento do custo de vida e o fato de o governo não conseguir combater a inflação levaram à forte mobilização popular contra o governo. O empresariado e os militares ficaram enfurecidos quando Vargas aumentou o salário-mínimo em 100%. Em 1954, ocorreu o Atentado da Rua Tonelero com o objetivo de tirar a vida de Carlos Lacerda.

No entanto, o atentado não obteve o resultado esperado e investigações feitas na época chegaram à conclusão de que o mandante do crime foi Gregório Fortunato, chefe de segurança de Getúlio Vargas. Embora Vargas não tenha tido envolvimento, saiu manchado do acontecimento e passou a ser pressionado a renunciar. Em 24 de agosto de 1954, isolado politicamente, Vargas cometeu suicídio. 

Café Filho (1954-1955), Carlos Luz (1955) e Nereu Ramos (1955-1956) 

Após o suicídio de Getúlio Vargas, a presidência foi ocupada por três presidentes diferentes: Café Filho, Carlos Luz e Nereu Ramos. 

Juscelino Kubitschek (1956-1961)

O governo de Juscelino Kubitschek teve início em 1956 e teve como principais características a busca pela industrialização e modernização do Brasil. Contudo, a posse de JK apenas ocorreu devido ao que se tornou conhecido como Golpe Preventivo de 1955. Henrique Teixeira Lott, Ministro da Guerra, empreendeu um contragolpe para desarticular grupos conservadores que tinham o plano de impedir a posse. 

Para que o país tivesse a infraestrutura necessária para suportar a industrialização intensa do período, JK implantou o Plano de Metas. Esse plano econômico era bastante ousado, colocava em evidência de investimentos áreas como produção de energia, transporte e infraestrutura portuária, mas deixava outras em segundo plano. 

Foi durante o governo de JK que o projeto da construção da nova capital foi realizado e assim nasceu Brasília. Ao final do mandato, o país havia crescido industrialmente, mas enfrentava problemas como a inflação. 

Jânio Quadros (1961)

Jânio Quadros foi o primeiro presidente eleito pela UDN. Conservador, foi eleito com uma votação expressiva. Esse governo foi bastante conturbado devido a decisões impopulares e ele renunciou após seis meses de governo.

Embora sua renúncia tenha sido prontamente aceita pela população, houve grave crise política devido à sucessão presidencial. Havia grupos contra e a favor da posse de João Goulart (Jango). 

Ranieri Mazzilli (1961)

Assumiu momentaneamente enquanto Jango não estava no Brasil. 

João Goulart (1961-1964)

Em 7 de setembro de 1961, Jango assumiu sob o regime parlamentarista que foi implantado para limitar os poderes do presidente. Em janeiro de 1963, recuperou os plenos poderes presidenciais. Na posição de presidente tentou dar início a um projeto de reformas estruturais, as chamadas Reformas de Base. 

Houve forte oposição às Reformas de Base por parte dos empresários e grupos conservadores. Em 31 de março de 1964 ocorreu o Golpe Militar que deu início à Ditadura Militar. 

Essa foi a República Populista. Para conferir mais conteúdos como este, navegue pelo blog do Hexag!

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