Quais foram as consequências da Revolução Industrial?

A Revolução Industrial se caracterizou por ser um período de amplo desenvolvimento tecnológico iniciado na Inglaterra no século XVIII. Ao longo do tempo, o desenvolvimento chegou a outras partes do globo, como a Europa Ocidental e os Estados Unidos.

O surgimento da indústria e as transformações operadas por ela foram decisivos para a consolidação do capitalismo. Continue lendo para entender melhor as consequências do desenvolvimento industrial.

O que foi a Revolução Industrial?

Podemos citar como marco inicial da Revolução Industrial o desenvolvimento da máquina a vapor. Essa máquina aproveita o vapor da água aquecida pelo carvão para gerar energia, convertendo-a em força para mover as máquinas. A primeira máquina desse tipo foi criada por Thomas Newcomen, na Inglaterra, no final do século XVII. Na década de 1760, James Watt aprimorou esse equipamento.

A Revolução Industrial foi o momento histórico em que houve a transição dos processos de manufatura, vigentes até então, para os métodos de produção por máquinas. Esse período se inicia em 1760 e se estende até algum momento entre 1820 e 1840.

Nessa fase, teve início o fabrico de novos produtos químicos, novos processos de produção de ferro, uso de energia a vapor, além da criação de máquinas que atuavam como ferramentas.

Um dos pontos mais marcantes foi a substituição da madeira e outros biocombustíveis pelo carvão, algo que potencializou a capacidade produtiva das fábricas. A Revolução Industrial se iniciou na Inglaterra, mas em algumas décadas já havia se espalhado para a Europa Ocidental e para os Estados Unidos.

Os historiadores consideram a Revolução Industrial como um divisor de águas, pois seu acontecimento influenciou os aspectos da vida cotidiana desse período.

Consequências da Revolução Industrial

Confira, a seguir, um compilado das principais consequências da Revolução Industrial.

Estímulo à exploração excessiva de recursos da natureza

A Revolução Industrial foi responsável por realizar grandes transformações a nível mundial na economia. A substituição da produção manual pela máquina permitiu acelerar consideravelmente o processo de produção de mercadorias. Um dos reflexos dessa aceleração foi o estímulo à intensificação da exploração dos recursos da natureza de maneira excessiva.

Redução de custos de produção

O uso das máquinas e as novas relações de trabalho (confira a seguir) contribuíram para uma redução significativa dos custos de produção. Isso contribuiu para o aumento da concorrência e fortaleceu o surgimento e consolidação de empresas.

Desenvolvimento de outros setores além do têxtil

As primeiras máquinas foram desenvolvidas para atender as demandas da indústria têxtil da Inglaterra. Os grandes capitalistas donos dessas fábricas da área têxtil começaram a enriquecer e, com o lucro de suas indústrias, passaram a investir em estradas de ferro e outros mecanismos de desenvolvimento.

Mudanças nas relações de trabalho

Além disso, a Revolução Industrial se refletiu em severas mudanças nas relações de trabalho. Os trabalhadores se viram em uma situação de grande exploração pelo contexto industrial.

Antes do advento das máquinas a vapor, o processo de produção da área têxtil se baseava na manufatura. Isso quer dizer que a produção era manual e se baseava na capacidade artesanal do trabalhador.

O desenvolvimento das máquinas alterou essa lógica, de maneira que a produção passou a ser baseada na maquinofatura, ou seja, a máquina estava por trás do processo produtivo. Se antes era necessário contar com a habilidade artesanal do trabalhador, depois da invenção das máquinas isso não era mais necessário, haja vista que qualquer um poderia manejar a máquina.

O fato de não necessitar mais de qualificação, fez com que a mão de obra fosse desvalorizada, passando a receber salários ínfimos. O processo de queda dos salários teve início na Inglaterra e se espalhou por toda a Europa, enquanto a industrialização dominava o velho continente.

Além da questão salarial, é essencial mencionar a mudança do regime de carga de trabalho. Os trabalhadores eram facilmente substituídos por outros, uma vez que não era necessário ter conhecimentos específicos para trabalhar na indústria.

Dessa forma, os empregados eram obrigados a aceitar péssimas condições laborais. As jornadas eram incessantes, havia pouco tempo para se alimentar e nenhuma medida de prevenção a acidentes de trabalho em um ambiente extremamente perigoso. Mulheres e crianças realizavam as mesmas jornadas laborais pela metade do salário.

Divisão e especialização do trabalho

Antes da Revolução Industrial, o trabalho era realizado do início ao fim pelo mesmo artesão. Após o advento das máquinas, essa estrutura foi alterada, houve a divisão do trabalho, em que cada operário realizava apenas uma pequena parte do processo.

Com essa intensa especialização de tarefas, se perdeu a mão de obra qualificada para realizar a produção completa. Foi nesse período que nasceu o conceito de linha de montagem, que é tão valorizado em sistemas como Fordismo e Taylorismo.

Criação das organizações de trabalhadores

A extrema exploração dos trabalhadores da indústria levou à mobilização dos mesmos em busca de melhorias de condições. Foi dessa forma que nasceram as organizações de trabalhadores que recebem o nome de sindicatos no Brasil e de trade union na Inglaterra.

Os trabalhadores reivindicavam melhores condições de trabalho com redução da carga e aumento de salário. A mobilização da classe operária na primeira metade do século XIX, na Inglaterra, culminou no surgimento de dois grandes movimentos: ludismo e cartismo.

O ludismo foi um movimento que atuou entre 1811 e 1816 e que se caracterizava por incitar os trabalhadores a invadir indústrias e destruir o maquinário. Foi duramente combatido pelas autoridades.

O cartismo foi um movimento surgido na década de 1830, os trabalhadores lutavam por mais direitos trabalhistas e políticos. Obteve alguns êxitos, no sentido de alcançar melhorias.

Fortalecimento de duas classes sociais

A Revolução Industrial corroborou para o fortalecimento de duas classes sociais de destaque: burguesia industrial e proletariado fabril. A primeira enriqueceu exponencialmente com base na carga extrema de trabalho da segunda. Houve concentração de renda nas mãos dos donos de indústrias.

Agora você já sabe quais foram as principais consequências da Revolução Industrial e suas implicações para a sociedade. Para conferir mais conteúdos de história, além de dicas para o Enem e o vestibular, navegue pelo blog do Hexag!

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