Qual a função da ocitocina?

Conhecido popularmente como “hormônio do amor”, a ocitocina ou oxitocina é um neurotransmissor natural. Produzido pelo hipotálamo no cérebro, é expelido especialmente durante o parto, amamentação e relações sexuais. Contudo, esse hormônio também ganha destaque em outras situações, como acariciar seu pet ou abraçar pessoas queridas.  

Esse hormônio promove empatia, confiança, relaxamento, sensação de bem-estar, comunicação amável, memórias felizes e produção de leite, no caso das lactantes. Continue lendo para saber mais sobre a função desse hormônio. 

Qual é a função da ocitocina na reprodução sexual e estabelecimento de vínculo?

A ocitocina é um hormônio de grande importância para a reprodução humana, uma vez que promove o trabalho de parto, a produção de leite e o movimento dos espermatozoides que leva à fecundação. Contudo, seu papel se estende para além das questões reprodutivas práticas, pois também é essencial para a manutenção de vínculo entre os casais. 

De acordo com um estudo realizado com vários casais, os que tinham maiores níveis de ocitocina mantiveram o vínculo com o parceiro por mais tempo. Além disso, outro estudo identificou que homens com níveis mais elevados de ocitocina tinham maior facilidade para manter distância social de outras mulheres atraentes desconhecidas.

Um estudo semelhante, mas voltado para investigar o público feminino, detectou que maiores níveis de ocitocina reduzem comportamentos associados à infidelidade, pois elas preferem manter a interação com seu parceiro ao invés de estranhos do sexo oposto. O hormônio ocitocina também tem forte relação com a satisfação sexual durante as relações. 

Ocitocina e o vínculo entre mãe e filhos

O hormônio ocitocina também promove um vínculo mais forte entre mães e filhos, tanto em humanos como em animais. Quanto mais altos os seus níveis, mais chances existem de que o indivíduo se coloque numa posição parental afetuosa. Conferir com frequência se o bebê está bem, brincar com ele e até fazer carinho para dormir são consequências de ter altos níveis de ocitocina.

Ocitocina e a coesão social

Pelo fato de ajudar as pessoas a se adaptarem a diferentes situações emocionais, a ocitocina contribui positivamente para os comportamentos sociais. Em um estudo foi aplicada ocitocina intranasal em pessoas com autismo, isso ajudou esses indivíduos a entenderem e responderem mais efetivamente a comportamentos sociais. 

Em outro estudo, ficou comprovado que a ocitocina tem influência sobre os chamados comportamentos pró-sociais porque promove maior relaxamento, confiança e estabilidade emocional. Pesquisas realizadas com bebês, adotivos ou biológicos, sugerem que aqueles mais cuidados pelos pais têm um aumento de ocitocina que os impulsiona a buscar mais contato com a mãe, reforçando, assim, o vínculo. 

Além disso, outro estudo identificou que alguns tipos específicos de interação entre pais e bebês também contribuem para o aumento da ocitocina. Mais do que ser o hormônio do amor, a substância pode ser considerada como o hormônio da interação e estabelecimento de vínculos afetivos. 

O papel da ocitocina no amor pelos animais

Um estudo realizado pela Universidade Azabu, no Japão, chegou à conclusão de que cuidar de um cachorro pode gerar um vínculo entre tutor e pet bastante parecido com o de mãe e filho.

Os níveis mais elevados de ocitocina potencializam a empatia entre tutores e cães, levando a uma maior sintonia entre eles. A relação de amor entre pets e seus tutores realmente pode ser bastante intensa. 

Qual é o uso médico da ocitocina?

Na área da medicina, a ocitocina pode ser injetada em mulheres em trabalho de parto para estimular as contrações uterinas. Além disso, pode ser usado para diminuir o sangramento após o parto ou um aborto.

Em 2017, um estudo identificou que a ocitocina pode ser de grande ajuda no tratamento do autismo e outras condições relacionadas ao desenvolvimento que afetam a interação social. 

O hormônio também vem sendo estudado como uma possível alternativa de tratamento para depressão pós-parto. Contudo, um estudo detectou que a versão sintética pode elevar o risco de depressão pós-parto e do surgimento de transtornos de ansiedade.

Está em andamento um estudo com a ocitocina como um tratamento para transtornos que envolvem o abuso de álcool. Essas pesquisas são muito importantes porque abrem a perspectiva de ajuda para quem mais precisa. 

Quais são as desvantagens da ocitocina?

Ao longo do artigo explicamos como a ocitocina pode ajudar a estabelecer vínculos mais fortes. No entanto, de acordo com um artigo publicado na Healthline é possível que esse hormônio também estimule preconceitos e favoritismos. Dessa forma, seriam gerados grupos de “dentro” do vínculo estabelecido e grupos de “fora”. 

Houve também associação desse hormônio com sentimentos de inveja e comportamentos desonestos. Porém, é importante mencionar que ainda é necessário estudar mais a fundo os efeitos negativos da ocitocina. A partir de estudos mais profundos será possível entender se existem condições que favorecem esses direcionamentos negativos.

Agora você já conhece mais sobre a ocitocina, o seu papel no organismo e sua função na medicina!

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