Seriam os átomos as letras do alfabeto químico?

Você já parou para pensar quantas palavras pode formar com as 27 letras do nosso alfabeto? E quantas palavras pode formar combinando as letras do nosso alfabeto mais as letras do alfabeto de outras línguas? Um número considerável, mas não é esse número que nos interessa e sim a capacidade de combinação.

Podemos fazer esse mesmo paralelo em relação aos átomos, atualmente conhecemos 116, sendo 90 naturais e os demais criados em laboratório pelo homem.

Considere os átomos como as letras do alfabeto e os diferentes materiais formados por sua combinação as palavras. Seriam, então, os átomos as letras do alfabeto químico? Continue lendo para entender!

Átomos: seriam as letras do alfabeto químico?

Como mencionado, são conhecidos 116 átomos, dentre os quais 90 são naturais e os demais são produzidos em laboratório pelo ser humano. A partir desse conhecimento, surge a dúvida: como pode existir uma variedade tão significativa de substâncias no mundo? A resposta para esse questionamento é relativamente simples, ocorre a combinação desses átomos sob diferentes formas.

Quando juntamos letras do nosso alfabeto, formamos palavras, cada palavra possui seu próprio sentido. O mesmo ocorre com a combinação dos átomos, diferentes agrupamentos levam à criação de funções distintas.

Logo, os átomos podem ser entendidos como sendo as letras do alfabeto químico, as letras que escrevem a natureza. Os 116 átomos podem ser agrupados de diversas formas, dando origem a inúmeras substâncias e materiais como cera, vidro, plástico, açúcar, madeira, entre outros. 

É importante, contudo, esclarecer que essa é uma percepção que temos atualmente em decorrência de todo o conhecimento que adquirimos ao longo dos séculos. No entanto, nem sempre foi assim e durante muito tempo o homem se viu imerso em uma grande escuridão acerca do entendimento do mundo e seu funcionamento. 

A evolução do conhecimento humano

Na Grécia Antiga, entre os séculos 12 a.C. e 6 a.C., o homem buscava explicar o mundo à sua volta. Como havia muito a ser compreendido nesse período, a solução encontrada foi a mitologia.

Seres fantásticos e deuses poderosos foram criados para explicar tudo que existia. No entanto, a partir do século 5 a.C., os filósofos e pensadores passaram a voltar seus olhos para as causas naturais. 

Empédocles (490-430 a.C.) foi um desses filósofos, em sua explicação, tudo o que havia na Terra era resultado das chamadas “raízes eternas”, os quatro elementos (ar, água, fogo e terra). De acordo com esse pensamento, os elementos se misturavam em diferentes concentrações, dando origem a materiais distintos.

Tudo, absolutamente, tudo o que havia era constituído por esses elementos de acordo com esse pensamento. Quando um elemento mudava de estado físico, passava a ser considerado como outro. 

Flogístico e os gases

O cientista belga Van Helmont (1580-1644) descobriu no século XVII que a fumaça produzida pela combustão de fluidos e sólidos era distinta do ar e do vapor d’água. Essa fumaça ele nomeou como “gás”. Van Helmont demonstrou ainda a existência de inúmeros tipos de gases.

Em 1723, o físico alemão Georg Ernst Stahl (1660-1734) lançou o livro “Os Fundamentos da Química”, em que objetivava explicar o princípio do fogo, o qual nomeou como “flogístico”. De acordo com Stahl, esse era um elemento imponderável e inapreensível presente em todos os corpos combustíveis, aqueles que pegam fogo ou queimam. 

Nessa linha de pensamento, os corpos em combustão perderiam o flogístico e, assim, depois da queima deixariam de ter a propriedade de combustão. Entre o fim do século XVII e o começo do século XVIII, essas ideias vigoraram. 

Antoine Lavoisier e a queda do flogístico 

O francês Antoine Lavoisier (1743-1794), no início do século XVIII, conseguiu explicar o que não era explicado pela teoria do flogístico. Dentre os tópicos por ele esclarecidos estão:

– Por que um corpo deixa de queimar dentro de um recipiente fechado?

– Por que ocorre redução de massa na queima do papel e por que os produtos dessa combustão são em sua maioria gases dispersados na atmosfera?

– Por que há o aumento do peso dos metais depois da combustão?

Estados físicos da matéria

A compreensão sobre o processo de combustão permitiu que fossem identificados os três estados físicos da matéria: sólido, líquido e gasoso. Os pesquisadores foram descobrindo aos poucos que podiam extrair alguns materiais de outros, assim como havia certos materiais dos quais nada podia ser extraído. 

Através de diversos experimentos com água, Lavoisier descobriu que poderia dividi-la em dois elementos: hidrogênio e oxigênio. Esse e outros experimentos ajudaram o cientista a listar 33 elementos químicos, que nada mais são do que conjuntos de átomos de mesma característica. 

O agrupamento dos átomos desses elementos dá origem às substâncias químicas. A água pode ser usada como exemplo, pois ela é formada por átomos de hidrogênio e oxigênio (H2O). Depois da contribuição de Lavoisier, vários elementos químicos foram descobertos e nos ajudaram a desenvolver o entendimento de que os átomos são tais quais as letras do alfabeto químico. 

Agora você entende porque os átomos podem ser entendidos como as letras que escrevem a natureza!

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