Queimadas na Amazônia – Desequilíbrio na natureza

As queimadas na Amazônia estão se tornando cada vez mais frequentes e com proporções assustadoramente maiores. Em 2019 – de acordo com dados fornecidos pelo Programa Queimadas, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) – o número de focos de incêndio na região da floresta entre os meses de janeiro e agosto foi o maior em sete anos.

Além de consequências como a extinção de espécies de fauna e flora (algumas que ainda nem foram catalogadas), as queimadas se refletem em outras regiões do país. No dia 19 de agosto de 2019, a capital paulista viu o dia se transformar em noite. O céu escureceu em decorrência dos focos de incêndio na região amazônica, de acordo com especialistas.

As queimadas, em grande parte originadas por ação humana na região, acarretam um grande desequilíbrio da natureza, algo que pode levar milênios para ser superado. Continue lendo e entenda essa relação.

Queimadas na Amazônia: qual é a sua origem?

A Amazônia é uma floresta tropical úmida e, dessa forma, incêndios naturais ou de ocorrência espontânea são muito difíceis de acontecer. Em geral, as queimadas são realizadas por ação humana e com planejamento, para desmatar grandes áreas que posteriormente passarão a ser usadas como pasto para criação de gado ou para a plantação de soja.

Um procedimento comum é deixar madeira desmatada “secando” durante meses para, então, incendiá-la, gerando as imagens desoladoras das chamas consumindo a floresta. Não é à toa que, em 2019, os dez municípios com maior número de focos de incêndio também são os que tiveram a mais alta taxa de desmatamento.

Perdas imensuráveis

O fogo que se alastra pela região amazônica destrói vegetações, em alguns casos, seculares e extingue espécies de fauna e flora que ainda não foram nem documentadas. As perdas de biodiversidade causadas pelas queimadas são imensuráveis, em especial quando nos damos conta de quão pouco conhecemos as espécies da região.

As áreas afetadas pelo fogo podem levar décadas para se recuperar ou até séculos, haja vista que há árvores seculares na região. Enquanto a floresta não consegue se recompor, uma nova lógica de ecossistema se estabelece, levando a desequilíbrios e falta de habitat para várias espécies que acabarão desaparecendo.

Para se ter uma ideia, a Amazônia possui em torno de 5.000 espécies de árvores, 1.300 tipos de arbustos, 3.000 variedades de ervas, assim como outras espécies de flora de grande valor científico, são mais de 30.000 espécies vegetais. Os rios da região amazônica contam com 85% de todas as espécies de peixes da América do Sul.

Desequilíbrios na natureza

As espécies da floresta amazônica se desenvolveram paralelamente estando interligadas, ou seja, cada uma tem uma função para manter o equilíbrio do ecossistema. Um bom exemplo são as árvores chamadas de árvores clímax, espécies de grande porte cuja função é fazer sombra para que outras formas de vida (vegetais e animais) possam se desenvolver.

Essas árvores podem levar mais de mil anos para alcançar a sua altura máxima, enquanto não são restauradas, haverá severas mudanças no ecossistema, o que pode e irá comprometer as espécies vegetais e animais que dependiam da sua sombra. Pode levar séculos para que uma vegetação primária seja recuperada em uma área de floresta.

Animais afetados pelas queimadas na Amazônia

O fogo que consome a vegetação da floresta amazônica também tem sérias consequências para a fauna. Em um primeiro momento, os animais podem morrer carbonizados ou sofrer queimaduras incapacitantes que os levarão lentamente à morte pela impossibilidade de deslocamento e de se alimentar.

Nessa corrida para fugir do fogo, algumas espécies levam vantagem, como os mamíferos, que podem sentir a chegada do fogo pelo olfato e as aves, que podem voar para longe do incêndio. No entanto, até mesmo entre esses “privilegiados” há exceções.

Entre os mamíferos há espécies muito lentas (como o tamanduá, o bicho preguiça e os filhotes de maneira geral) que ainda que sintam a ameaça não conseguem escapar a tempo. As aves adultas voam para longe, mas seus ninhos e ovos acabam sendo destruídos, prejudicando a perpetuação das espécies.

Os animais que conseguem escapar do incêndio sem ferimentos graves ainda terão um grande desafio pela frente, sobreviver em uma floresta destruída. Muitos habitats deixam de existir e a falta de alimento condena inúmeras espécies ao padecimento.

A perda de espécies da fauna da Amazônia tem grande peso mundial, pois grande parte são endêmicas, ou seja, só existem lá. Nem mesmo animais de grande porte, como jaguatiricas e onças, estão conseguindo escapar devido ao aumento da proporção dos focos de incêndio.

Fauna do solo

Incêndios e desmatamentos atingem de forma mais intensa e cruel a fauna do solo da floresta, que é um fator crucial para a manutenção do equilíbrio desse ecossistema. O solo amazônico é o lar de uma grande diversidade de micro-organismos vertebrados e invertebrados. Quando o fogo passa, consome aracnídeos, minhocas e insetos variados,  colocando um ponto final em uma das maiores riquezas da floresta.

Essas espécies têm como função a manutenção da qualidade do solo para que a vegetação amazônica possa se desenvolver. Lembra-se das árvores seculares e milenares que citamos ao longo deste artigo? Elas somente conseguem se manter pela fertilidade e pela existência de nutrientes fornecidos pelos micro-organismos através do solo.

10 de agosto de 2019: o dia do fogo

No começo do segundo semestre do ano, a região da floresta amazônica tende a ficar relativamente mais seca, de forma que se torna mais vulnerável para a ocorrência de incêndios.

No entanto, as grandes queimadas iniciadas no dia 10 de agosto de 2019 – que ficou conhecido como Dia do Fogo – aconteceram devido a uma ação coordenada entre fazendeiros da região que desejavam mais área para pasto e plantação de soja.

Novo Progresso, município do Pará, apresentou nada menos do que 124 focos de incêndio no dia 10 de agosto, no dia seguinte, já eram 203 casos.

O dia em que o céu escureceu em São Paulo

O dia 19 de agosto de 2019 ficou marcado pelo o que ganhou a denominação de “Céu Escuro”. Várias cidades do país, incluindo a metrópole São Paulo, viram o dia virar noite, em parte esse fenômeno teve relação com o grande número de incêndios iniciados no dia 10 de agosto.

De acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) o céu escuro foi o resultado da combinação de material proveniente das queimadas da Amazônia com material de queimadas que ocorreram na tríplice fronteira (Brasil, Paraguai e Bolívia) perto de Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Esse é um grande símbolo de que aquilo que acontece na floresta pode e tem reflexo no resto do Brasil e, em algum grau, no mundo todo.

As queimadas na Amazônia estão entre os temas mais atuais em pauta, portanto, se informe e fique preparado para as principais provas de vestibular e Enem!

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