Quais são as figuras de pensamento?

As figuras de pensamento fazem parte da nossa comunicação diária e se caracterizam por enfatizar ideias por meio da expressão. Continue lendo para entender melhor o conceito e conhecer quais são essas figuras. Boa leitura!

O que são figuras de pensamento?

Sabe quando você quer contar algo importante para outra pessoa e percebe que apenas descrever o ocorrido não é o bastante? É natural buscar apoio no uso de metáforas e exemplos que, geralmente, se encontram fora do contexto ou da realidade do interlocutor. Esses recursos são utilizados para transmitir o máximo de informações e detalhes a respeito da experiência que está sendo relatada. 

As figuras de pensamento estão abrangidas no campo conhecido como semântica, onde existe relação entre o literal e o figurado. É interessante pontuar que as figuras de pensamento se encontram juntamente com figuras de construção ou sintaxe, figuras de palavras ou semânticas e figuras de som ou harmonia. Em suma, elas são parte das figuras de linguagem

Quais são as figuras de pensamento?

Normalmente, as figuras de pensamento apresentam sentido conotativo e simbólico. São elas: eufemismo, antítese, hipérbole, personificação ou prosopopeia, gradação, ironia, apóstrofe e paradoxo. Entenda melhor a seguir.

Personificação ou prosopopeia

Essa é uma figura de pensamento utilizada quando se atribui ações, sentimentos ou qualidades humanas para seres irracionais. Confira o exemplo abaixo.

“A lua me traiu, acreditei que era para valer.” 

Nessa frase é atribuída à lua, que é um satélite natural do Sistema Solar, uma ação humana, a traição. Sendo a lua um corpo celeste, ela não pode trair ninguém, somente os seres humanos podem fazer isso. Nesse exemplo, a lua é empregada de maneira simbólica para falar a respeito de uma situação. 

Ironia

Bastante utilizada no dia a dia, a ironia se caracteriza por significar o oposto do que está sendo dito. O objetivo dessa figura de pensamento é realizar uma sátira. O uso da ironia pode trazer em si uma carga de diferentes sentimentos. 

Imagine a situação em que uma pessoa cortou o cabelo e a outra pergunta a ela:

“Cortou o cabelo?”

Então, tem a seguinte resposta:

“Não! Tirei para lavar.”

A menos que a pessoa use uma extensão capilar, não é possível retirar os fios para lavar. Então, nesse caso, o objetivo foi responder “Claro que eu cortei”. 

Eufemismo

Comunicar uma notícia triste para outra pessoa nunca é uma tarefa fácil. Na tentativa de amenizar o impacto são escolhidas palavras mais leves. Essa mudança de palavras é o que se chama eufemismo.

Trata-se de uma figura de pensamento que usa o recurso da sutileza. Pode ser usado para falar de algo triste, mas também para substituir uma palavra de baixo calão ou disfarçar uma informação. 

Confira o exemplo:

“Lúcia se apropriou da ideia da irmã de maneira indevida.”

A mensagem dessa frase é: “Lúcia roubou a ideia da irmã.” 

Hipérbole

Essa figura de pensamento se caracteriza por expressar o exagero de maneira intencional. Faz o oposto do eufemismo, pois deseja intensificar a situação. 

Confira o exemplo: 

“Eu já repeti as instruções mais de mil vezes e você não conseguiu concluir a tarefa até agora.”

Nesse exemplo, a hipérbole foi utilizada para enfatizar que a pessoa já explicou a tarefa muitas vezes e a outra ainda não conseguiu entender. 

Gradação (ou clímax)

Uma figura de pensamento menos óbvia do que as anteriores. Caracteriza-se por uma sequência de palavras ou expressões. Se a sequência está na ordem crescente se chama clímax, se está na ordem decrescente se chama anticlímax. 

Exemplo

“Vim, vi e venci” – Frase atribuída a Júlio César. 

Nessa frase, temos uma sequência de acontecimentos em ordem crescente. 

Antítese

Essa figura de linguagem consiste em aproximar ideias de sentidos contrários. 

Confira o exemplo:

“Quem perder sua vida por amor de mim, achá-la a.” 

A frase que Jesus disse aos seus discípulos é uma antítese porque aproxima as ideias de perder e achar a vida ao mesmo tempo. Trata-se de uma figura de pensamento em que a mensagem consiste no abandono da vaidade, maldade e inveja. O objetivo é viver apenas de amor, assim como fez Jesus. 

Apóstrofe

Trata-se de uma figura de pensamento facilmente identificada. Basicamente, ela está sempre chamando por alguém e normalmente está acompanhada do vocativo. Esse vocativo não apresenta nenhuma relação com nenhum termo na frase, ele somente está lá para direcionar a mensagem para alguém ou algo. 

Confira o exemplo:

“Fábio, por que você está parado na frente da janela?”

Nesse exemplo “Fábio” é o vocativo, pois é a ele que a mensagem se dirige. A ação de invocar é o que se chama de apóstrofe. 

Paradoxo (ou oximoro)

Da mesma forma que a antítese, o paradoxo relaciona termos opostos. No caso da antítese, há duas ideias diferentes, opostas e que não se anulam, elas geralmente até possuem relação. Contudo, no paradoxo a ideia em si é incoerente. 

A diferença principal está no fato de que na antítese duas ideias distintas se opõem e no paradoxo a mesma se opõe. Basicamente, as palavras contraditórias são associadas a um mesmo pensamento. É na incoerência que o paradoxo dá a ênfase na ideia. 

Confira o exemplo:

“Só sei que nada sei.” – Frase atribuída a Sócrates.

Nesse exemplo, há a contradição entre a afirmação de que a única coisa que Sócrates sabe é que nada sabe. Essa figura de pensamento apresenta falta de lógica ou nexo. Contudo, ao proferir essa frase, o filósofo admitiu qual era a sua única certeza. 

O paradoxo pode ser bastante complexo e estar fora dos princípios básicos da compreensão humana. No entanto, esse exercício de questionamento e contradição é uma ferramenta necessária para refletir e amadurecer o pensamento humano. 

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