O que são aglutinogênios e aglutininas?

Conhecer os conceitos de aglutinogênios e aglutininas é imprescindível para a compreensão do sistema ABO (sistema sanguíneo humano). No artigo a seguir iremos explicar com mais detalhes esses termos e qual é a sua relevância, especialmente no processo de transfusão sanguínea. Boa leitura! 

Aglutinogênios e aglutininas: o que são?

Como mencionamos acima, aglutinogênios e aglutininas têm grande relevância em particular para a segurança da realização de transfusões sanguíneas. Confira abaixo os detalhes a respeito desses conceitos.  

Aglutinogênios

Aglutinogênio é uma substância antigênica que tem o papel de formar uma aglutina específica. 

Aglutininas

A aglutinina age como um tipo de anticorpo que pode gerar a aglutinação de células, caso as identifique como antígenos. Essa proteína é responsável pelo combate do aglutinogênio estranho ao organismo. Pode gerar a aglutinação de microrganismos e hemácias que têm o aglutinogênio. 

O que é aglutinação?

Basicamente, aglutinação é uma reação de um anticorpo, presente naturalmente ou produzido no plasma, como é o caso da aglutinina. Essa reação se dá em relação a alguns antígenos presentes na membrana das hemácias (aglutinogênios). Ocorre aglomeração de pequenas massas de células. 

É importante ressaltar que a reação de aglutinação pode levar uma pessoa a óbito. Por isso, é fundamental conhecer o tipo sanguíneo do receptor e do doador no caso de uma transfusão sanguínea. 

Sistema ABO e o aglutinogênio

O sistema sanguíneo humano é chamado de sistema ABO e está bastante relacionado aos aglutinogênios. Todas as hemácias presentes no sangue do ser humano possuem em suas superfícies as glicoproteínas conhecidas como aglutinogênios. O tipo sanguíneo de uma pessoa é determinado por meio dos aglutinogênios. 

Por exemplo, uma pessoa que tem tipo sanguíneo A possui o antígeno A (aglutinogênio) na superfície de suas hemácias. Já um indivíduo com tipo sanguíneo B tem o antígeno B (aglutinogênio) na superfície de suas hemácias.

No sistema ABO existe codominância entre A e B, de forma que um indivíduo com tipo sanguíneo AB terá aglutinogênio A e B. Pessoas que têm o tipo sanguíneo O não têm aglutinogênios na superfície das suas hemácias. 

Por que aglutinogênios são importantes em transfusões sanguíneas?

Ao longo do artigo mencionamos que os aglutinogênios são bastante importantes para a realização de transfusões sanguíneas em segurança. Agora vamos explicar porque isso é imprescindível para evitar complicações. 

Comece imaginando que João recebeu uma transfusão sanguínea de um tipo sanguíneo diferente do seu. Seu organismo reconhecerá os aglutinogênios presentes nas novas hemácias como sendo um corpo estranho, um antígeno que precisa ser combatido. 

Com esse reconhecimento do “inimigo”, o organismo passa a produzir aglutininas. Devemos lembrar que as aglutininas são os anticorpos do plasma sanguíneo responsáveis por formar aglomerados de hemácias. O organismo de João reconheceu antígenos e deu origem à aglutinação de hemácias e isso pode levá-lo a óbito. 

Aglutininas anti-A e anti-B

No sistema ABO temos basicamente aglutininas anti-A e anti-B. Indivíduos com tipo sanguíneo AB não apresentam produção de aglutininas já que possuem os dois antígenos. Por isso, quem tem sangue tipo AB é chamado de receptor universal, isto é, alguém que pode receber doação de qualquer tipo de sangue.

Por sua vez, quem tem sangue tipo O produz os dois tipos de antígenos e assim só pode receber transfusão de pessoas que também tenham sangue tipo O. Indivíduos com sangue tipo O são chamados de doadores universais porque podem doar sangue para pessoas com qualquer tipo sanguíneo sem nenhum problema para quem recebe.

É essencial fazer o adendo de que para a transfusão ser realizada totalmente em segurança se deve conhecer também o fator Rh do indivíduo. Explicaremos esse tópico  melhor na sequência. 

Aglutinogênios: antígenos dos sistemas Rh e MNS

Os antígenos sanguíneos dos sistemas Rh e MNS também recebem o nome de aglutinogênios. A lógica é a mesma do sistema ABO. Há diversos aglutinogênios no sistema Rh. Podemos destacar o Rh+ (D) e Rh- (d). Também há uma grande diversidade de aglutinogênios no sistema MNS. O destaque nesse caso fica para: M, N, S, s, U. Nesses sistemas também existem aglutininas. 

Sistema Rh

Assim como acontece no sistema ABO, no sistema Rh é necessário saber se a pessoa em questão tem ou não o aglutinogênio Rh. Em um primeiro contato, geralmente se mostra pouco reativa. Contudo, pode gerar uma reação extrema de aglutinação a partir de um segundo contato com as aglutininas anti-Rh. Um exemplo desse tipo de aglutinação são os casos de eritroblastose fetal.

Sistema MNS

Nesse sistema as aglutininas anti-M e anti-N ocorrem naturalmente. Pelo fato de que normalmente não gera aglutinação, não precisa necessariamente ser identificado antes de realizar processos de transfusões sanguíneas. 

Células bacterianas: conheça os aglutinogênios

Na superfície de células bacterianas também é possível identificar os aglutinogênios. Por exemplo, na superfície das células da bactéria Bordetella pertussis, causadora da coqueluche, é possível identificar três tipos de aglutinogênios. 

Os cientistas acreditam que a função desses aglutinogênios é permitir a adesão bacteriana à mucosa respiratória da pessoa infectada. Esses aglutinogênios podem gerar também a produção de aglutininas que têm ação contrária a eles de forma a gerar a agregação de partículas aglutinogênio-aglutinina.

Gostou de conhecer mais aglutinogênios e aglutininas?

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