O que foram as cruzadas?

Terça, 10 de Novembro de 2020

O que foram as cruzadas?

Entender o que foram as cruzadas é importante para compreender a diferença de como os conflitos entre as nações eram resolvidos alguns séculos atrás e hoje em dia. Embora atualmente ainda ocorram conflitos bélicos entre algumas nações, é possível observar uma forma mais diplomática de tentar resolver os impasses.

As cruzadas foram mais do que um movimento de guerra movido por questões religiosas, mas também um elemento importante para mudar as relações sociais estabelecidas entre os países da Europa e parte do Mediterrâneo, no período entre os séculos XI e XIV. Continue lendo para saber mais sobre esse tema que é bastante recorrente em provas de vestibular e Enem.

Entenda o que foram as cruzadas

Receberam o nome de cruzadas expedições militares realizadas por católicos que partiram da Europa Ocidental rumo à Palestina (chamada neste período de Terra Santa pelos católicos) e Jerusalém com o objetivo de retomar o domínio da região que havia sido perdida para os turcos seljúcidas que eram muçulmanos.

Ao todo, foram realizadas oito expedições cruzadistas e podemos dizer que foi uma guerra entre católicos e muçulmanos. As cruzadas se estenderam longamente pela história, acarretando sérias consequências e transformações que serão analisadas a seguir.

O contexto

Os povos árabes controlavam Jerusalém e o seu entorno desde o século VII sem impor nenhum entrave para que os cristãos pudessem visitar os territórios que, para eles, eram sagrados. Havia uma tentativa, por parte dos povos árabes, de estabelecer uma relação harmoniosa com os cristãos.

No entanto, essa harmonia foi quebrada a partir do século XI com o aumento do domínio turco na região, os cristãos que peregrinavam pelo local passaram a ser duramente perseguidos e até mortos.

Concílio de Clermont: o começo de tudo

O início das cruzadas se deu no ano de 1095, após a realização do Concílio de Clermont, em que o então Papa Urbano II incitou os cristãos a aderirem ao movimento de reconquista da Terra Santa e outros territórios considerados sagrados para os católicos.

Essa era uma grande oportunidade para que a Igreja Católica pudesse se firmar novamente no Oriente após o Grande Cisma do Oriente, ocorrido em 1054. Os bizantinos vinham pedindo auxílio dos cristãos do Ocidente há muito tempo.

Crescimento demográfico europeu e problemas sociais

Em paralelo à questão religiosa, a Europa passava por sérios problemas sociais decorrentes do crescimento demográfico acelerado e do direito de primogenitura. Com o aumento populacional, tornava-se cada vez mais difícil para a população servil manter a sua subsistência trabalhando em lotes de terras para os senhores, pois não havia terras para todos. Integrar-se às cruzadas era uma forma dos membros das famílias servis diminuírem o peso de ter um número acentuado de bocas para alimentar.

No início da Idade Média, foi instituído o direito de primogenitura, que nada mais é do que a definição de que somente o filho primogênito teria o direito de herdar as terras dos pais. Logo, os filhos dos nobres que não eram primogênitos precisavam conquistar terras fora dos domínios familiares e as cruzadas representavam uma oportunidade para isso.

Interesse dos comerciantes

Outro grupo que tinha interesse na realização das cruzadas era o dos comerciantes, em especial os italianos, que desejavam que as rotas comerciais do Mar Mediterrâneo fossem reabertas. Essas rotas se encontravam sob o domínio dos árabes muçulmanos. As cruzadas representavam uma oportunidade de grandes ganhos financeiros.

Consequências das cruzadas

O comércio em regiões periféricas do continente europeu foi uma das principais consequências das cruzadas, o deslocamento das expedições cruzadistas e de peregrinos por essas áreas intensificou o comércio e contribuiu para acelerar o desenvolvimento local. Populações formadas por camponeses e desempregados – antes completamente negligenciadas pelo poder central – passaram a ter novas oportunidades.

Outra consequência advinda das cruzadas foi o aumento da tensão entre católicos e muçulmanos. Ainda nos dias de hoje encontramos traços dessa rivalidade entre esses dois grandes grupos religiosos, como o preconceito arraigado no continente europeu em relação aos muçulmanos e atos de terrorismo realizados no Oriente Médio e Europa.

As principais cruzadas

Ao todo, foram realizadas 8 expedições militares cruzadistas partindo da Europa Ocidental rumo à Terra Santa, com destaque para 4 delas, veja quais foram elas.

Primeira Cruzada

Conhecida também como a “Cruzada dos Nobres”, foi à única que conseguiu atingir o objetivo de tomar o poder de Jerusalém. A Primeira Cruzada se estendeu entre 1096 e 1099, sendo que nesse ano houve a conquista de Jerusalém, que seria logo retomada pelos turcos muçulmanos no século XII.

Segunda Cruzada

Essa cruzada teve início em 1147 e terminou dois anos depois, entrou para a história como a cruzada organizada por reis e imperadores relevantes da Europa Ocidental, no entanto, fracassou, não conseguindo conquistar a Terra Santa.

Terceira Cruzada

A chamada “Cruzada dos Reis”, por contar com a participação dos reis da França, Inglaterra e Império Romano-Germânico, se estendeu por três longos anos, entre 1189 e 1192. Se, por um lado, fracassou, não obtendo o domínio de Jerusalém, obteve importantes vitórias diplomáticas, resultando em acordos com os turcos, que passaram a aceitar que os peregrinos cristãos visitassem a região.

Quarta Cruzada

Essa foi a cruzada realizada por comerciantes da cidade de Veneza, estendendo-se do ano 1202 ao ano 1204. Seu primeiro objetivo era a conquista da região de Constantinopla, para somente então partir para a tentativa de dominar Jerusalém. A empreitada até obteve êxito em dominar Constantinopla, com a criação do Reino Latino de Constantinopla, mas a Terra Santa ainda era domínio dos turcos.

Nessa cruzada, ficou evidente que o objetivo religioso nunca foi o principal motivador dessas empreitadas. Em 1261, Constantinopla foi retomada pelos bizantinos, no entanto, as rotas comerciais se mantiveram abertas, promovendo a união entre o Oriente e o Ocidente, criando bases para o desenvolvimento posterior do capitalismo.

O tema das cruzadas é muito importante por se refletir em questões atuais, como a rivalidade entre cristãos e muçulmanos, bem como por ter dado base para o desenvolvimento do capitalismo.

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