O que é ambiguidade?

Entender o que é ambiguidade é essencial para evitá-la em suas redações, uma vez que prejudica a compreensão da mensagem. A ambiguidade pode ser chamada também de anfibologia e acontece quando uma frase, trecho ou expressão linguística abre a possibilidade para múltiplas interpretações. O grande problema de se deparar com textos ambíguos é a dificuldade de entendê-los.

É mais comum do que se pensa se deparar com construções textuais e orais em que haja algum tipo de ambiguidade. Em geral, o problema está relacionado à escolha lexical (palavras) e sintaxe (forma como as palavras são organizadas). Continue lendo para entender mais sobre a ambiguidade e como deixá-la de fora das suas redações.

A ambiguidade é um vício de linguagem

A ambiguidade é considerada como um desvio das normas padrão da língua portuguesa, ou seja, é um vício de linguagem, não devendo ser utilizada em textos de cunho jornalístico, acadêmico e nem mesmo na oralidade. Admite-se o uso da ambiguidade pela linguagem poética e lírica, haja vista sua maior liberdade para escapar de regras consolidadas pela norma culta.

Conheça os tipos de ambiguidade e como evitá-los

A língua portuguesa, por si mesma, abre algumas brechas para a ocorrência de ambiguidades devido à forma como o idioma é utilizado. A seguir vamos apresentar os diferentes tipos de ambiguidade que podem ocorrer em nossa língua e como evitá-los.

Pronomes possessivos utilizados indevidamente

Um dos casos mais comuns de ambiguidade na língua portuguesa se dá quando há o uso indevido de pronomes possessivos ou termo indicativo de posse em frases com mais de um sujeito, sem que fique claro a quem se refere. Confira o exemplo a seguir:

Maria pediu a João que pegasse seu livro na cozinha.

Você sabe dizer se o livro dessa frase pertence à Maria ou a João? Pois é, não tem como ter certeza devido à criação de uma ambiguidade. Uma forma de resolver esse problema é substituir o pronome (seu/sua) por dele/dela, veja como fica:

Maria pediu a João que pegasse o livro dele/dela na cozinha.

Uso indistinto do pronome relativo e a conjunção integrante

Acontece nos casos em que há uso indistinto do termo, que pode ser pronome relativo ou conjunção integrante. O pronome relativo é aquele que retoma um antecedente e a conjunção integrante faz a introdução de orações substantivas. Tudo depende de como o termo é encaixado na frase, confira o exemplo a seguir:

Rita avisou à Julia que estava terminando o estudo.

Nessa frase o problema está no fato de que não tem como saber quem estava terminando o estudo, Rita ou Julia? Confira abaixo como esse problema de compreensão pode ser solucionado apenas alterando a posição das orações:

À Rita, Julia avisou que estava terminando o estudo.

Julia avisou à Rita, que estava terminando o estudo.

Uso inadequado de palavras

A ambiguidade, nesse caso, ocorre devido à sintaxe que torna difícil compreender a mensagem que se está tentando passar. Confira o exemplo a seguir:

A aluna inquieta se mexeu durante toda a aula.

Ao ler essa frase, você tem um entendimento básico da mensagem, porém, pode ficar em dúvida se a aluna estava inquieta apenas nessa ocasião ou se essa é uma característica pessoal que se manifesta recorrentemente. Abaixo vamos exemplificar como deixar essa sentença mais clara:

Inquieta, a aluna se mexeu durante toda a aula.

A aluna, sempre inquieta, se mexeu durante toda a aula.

Uso indevido de formas nominais

Esses casos acontecem quando verbos são utilizados na forma nominal (infinitivo, gerúndio ou particípio). Confira o exemplo a seguir:

O aluno viu a colega caminhando.

Nessa frase, não fica claro quem estava caminhando, se é o aluno ou a colega. Basta mudar a ordem das orações para conseguir transmitir a mensagem com mais clareza, verifique a seguir:

Caminhando, o aluno viu a colega.

O aluno viu a colega, que estava caminhando.

Ambiguidade como ferramenta da publicidade

Como mencionamos, há casos em que a ambiguidade é permitida e até bem-vinda por acrescentar mais graça ao contexto. A publicidade se vale desse recurso em alguns casos para deixar as mensagens dos anunciantes mais divertidas como neste exemplo:

“Encha seu filho de bolacha.”.

Obviamente, a mensagem diz para os pais comprarem muitos pacotes de bolachas para seus filhos, porém, apresenta caráter ambíguo pelo significado popular atribuído à palavra “bolacha”. O uso da ambiguidade na publicidade tem como objetivo chamar a atenção dos possíveis consumidores e, muitas vezes, segue por esse caminho do choque inicial da mensagem.

Não confunda polissemia com ambiguidade

Na língua portuguesa, algumas palavras podem ter mais de um significado, gerando confusão enquanto estão isoladas. No entanto, basta adicionar essas palavras a um contexto para entender o que elas significam. Logo, a polissemia não deve ser confundida com ambiguidade, pois é uma ocorrência do nosso idioma e não um desvio.

Um bom exemplo de polissemia é a palavra ponto, que pode se referir a um sinal de pontuação gramatical, a um ponto no espaço na geometria, a um lugar onde se encontram táxis ou se pega ônibus ou até ao ponto eletrônico usado por apresentadores de televisão. Quando a palavra ponto é colocada em uma frase, não tem como não saber a qual ponto se refere, não é mesmo?

Agora que você já conhece os casos em que a ambiguidade se forma, com certeza tem ferramentas suficientes para mantê-la longe das suas redações nos vestibulares e no Enem.

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