O Cortiço – Características de uma grande obra literária brasileira

O livro “O Cortiço” foi escrito por Aluísio Azevedo e publicado em 1980. Trata-se de um romance que narra, entre outros fatos, a convivência dos moradores de um cortiço, tipo de habitação coletiva utilizada por pessoas de baixa renda. A obra é considerada a expressão máxima do Naturalismo, movimento literário que se iniciou na Europa.

Continue lendo para conhecer as características dessa grande obra literária brasileira que já apareceu em questões do Enem e dos principais vestibulares.

O Cortiço – Resumo da obra

A história se passa no Rio de Janeiro, em um cortiço, que é o personagem principal por ser o espaço em que tudo acontece. Ele é propriedade de João Romão, um português que conseguiu subir na vida graças à exploração de outras pessoas, com destaque para a escrava Bertoleza.

Antes de se tornar um homem de posses, João Romão era funcionário de uma venda, seu patrão, que também era português, sempre pagava seu salário com atraso. Um dia, o dono do local decide retornar a Portugal e deixa o estabelecimento a João como forma de pagamento.

Ao assumir a venda, João Romão conhece uma escrava, Bertoleza, que se torna sua amante. Ele a engana, dizendo que irá comprar sua alforria e a faz trabalhar incansavelmente. Porém, em vez de usar o dinheiro para cumprir a promessa, compra um terreno e constrói casas para alugar para pessoa pobres, lugar que se torna o cortiço.

Conforme vai ganhando dinheiro explorando pessoas, João Romão vai adquirindo mais bens, entre os quais uma pedreira e uma taverna. No cortiço vivem vários personagens, como Rita Baiana, Jerônimo, Piedade, Capoeira Firmo e a chamada Arraia-Miúda, que representa as lavadeiras, os caixeiros, funcionários da pedreira, entre outros.

Com o passar do tempo, João Romão percebe que tem dinheiro, mas não tem fama. Então, resolve disputar um título de Barão com Miranda, que vive próximo ao cortiço, e acaba perdendo. Sem desistir de seu plano, decide se casar com a filha do novo Barão e, para evitar que Bertoleza o atrapalhe, a denuncia como escrava fugitiva. Decepcionada e com medo do que possa lhe acontecer, ela tira a própria vida com uma faca de peixe.

Esse é apenas um resumo da trama central, além dessa há o envolvimento do português Jerônimo, que é casado com Piedade, com Rita Baiana. Totalmente seduzido, ele descobre que Rita tinha um amante, o Capoeira Firmo, e o mata. São várias histórias contadas tendo como ligação o cortiço e que possuem desfechos trágicos.

O Cortiço: características da obra

A obra é uma alegoria da sociedade brasileira do século 19. Nela, o comportamento de cada personagem é retratado como fruto do meio em que vivem. Veja, a seguir, quais são as principais características que podem ser identificadas em “O Cortiço”.

Naturalismo

O Naturalismo é uma tendência que surgiu através do realismo. Segundo sua concepção, o homem é fruto do meio em que vive. Em obras desse estilo, a burguesia costuma ser bastante criticada, o que pode ser confirmado em “O Cortiço”.

Zoomorfismo

Como mencionado, o cortiço é o personagem principal do livro e é retratado quase que como uma pessoa. Por outro lado, os personagens humanos por vezes são retratados como animais, ou seja, zoomorfizados.

Narrador

A história de “O Cortiço” segue os moldes propostos pelo movimento naturalista e é narrada em terceira pessoa de forma onisciente. O narrador conhece tudo, sabe o que se passa na mente dos personagens e busca mostrar que a raça, o momento histórico e o meio influenciam o comportamento de cada um.

Tempo

A obra se passa no século 19, no Rio de Janeiro, que na época era a sede do Império. Nesse período da história do Brasil, a cidade estava crescendo e se modernizando. Alguns trabalhadores estavam ascendendo socialmente, enquanto outros eram explorados e permaneciam na pobreza.

Não são informadas datas precisas dos acontecimentos da história do livro, mas os fatos são contados com linearidade. Portanto, há princípio, meio e fim, o que facilita o entendimento pelo leitor.

Espaço

O principal espaço em que a história se desenrola é o cortiço, que é onde grande parte dos personagens vive. No local há um amontoado de pessoas de classe baixa. Além dele, há a pedreira e a taverna, todos são propriedade de João Romão. Por serem ambientes próximos, são considerados um mesmo espaço.

Outro espaço importante na obra é a casa de Miranda, o rival de João Romão na disputa pelo título de barão. A construção possui ares aristocráticos e é uma representação daqueles que estavam ascendendo para a classe burguesa na época.

Embora “O Cortiço” não seja um livro que tenha compromisso com a história do Brasil, é considerado um retrato bastante importante da época. Além disso, inaugurou o Naturalismo no país e, portanto, é uma obra de grande importância para a literatura nacional.

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