Guerra da Chechênia: quando foi?

A Primeira Guerra da Chechênia ocorreu entre os anos de 1994 e 1996. Tratou-se de um conflito bélico com o objetivo de obter a independência da Rússia. Tendo êxito nessa empreitada a região adotou o nome de República Chechena da Ichkeria. Continue lendo para entender melhor. 

Guerra da Chechênia: contextualização

O início do conflito se deu quando a Rússia utilizou força militar para tentar recuperar o controle da região secessionista da Chechênia. A campanha militar inicial dos russos, entre 1994 e 1995, resultou na destruição da capital, Grozny.

No entanto, embora tivesse superioridade bélica, a Rússia não conseguiu controlar efetivamente as áreas montanhosas da Chechênia. Os ataques constantes dos guerrilheiros chechenos foi um trunfo. 

Esse fracasso militar acarretou na desmoralização do Exército Russo e em forte oposição da opinião pública contra esse conflito considerado brutal. Em 1996, o governo de Boris Yeltsin declarou cessar-fogo unilateral. As tropas russas foram removidas do território da Chechênia e em 1997 foi assinado um tratado de paz. 

Os números, considerados conservadores, estimam a morte de mais de 35.000 civis e 4.000 combatentes chechenos, além de 7.500 militares russos. Por sua vez, as estimativas menos conservadoras apontam entre 80.000 e 100.000 civis chechenos mortos no conflito. Durante o período de conflito mais de 500.000 pessoas deixaram suas casas. Cidades e vilarejos ficaram em ruínas por toda a Chechênia. 

Guerra na Chechênia: conheça as origens do conflito 

Historicamente, o povo checheno se viu obrigado a lutar pelo seu território, inicialmente contra o Império Otomano. A partir do século XVIII, a luta passou a ser contra a Rússia czarista. Com difícil acesso ao Cáucaso, essa é uma região em que facilmente surgem povos isolados vivendo em pequenos povoados e tendo uma série de conflitos entre si. 

Os povos da região inicialmente eram pagãos, no entanto, no século XVIII se converteram ao islamismo, exceto os armênios e georgianos. Durante o governo do czar Pedro, o Grande (1682 a 1725), ocorreu a primeira invasão ao centro da região chechena. Ao longo do reinado de Catarina, a Grande (1762-1796), foram criadas colônias russas ao norte de Grozny. 

As primeiras reações contra a invasão russa foram lideradas por um ex-padre jesuíta italiano chamado Sheik Mansour, ele se converteu ao islamismo. Entre 1834 e 1859, aconteceu a primeira guerra dos chechenos contra os russos sob a liderança de Avar Iman Shamil, considerado o maior herói da Chechênia. Em 1859, depois de batalhas sangrentas, a Rússia adicionou o Cáucaso ao Império Czarista.

Em 1936, durante o governo de Josef Stálin, foi criada a República Socialista Soviética Autônoma de Chechenia e Inguchétia. Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1943, tropas alemãs se aproximaram da capital Grozny. Mais de 40 mil chechenos combateram o exército nazista. 

No entanto, dezenas de milhares de chechenos foram deportados para a Sibéria e Ásia Central sob a acusação de terem colaborado com os nazistas. Somente em 1957, os sobreviventes puderam retornar à Chechênia. Nesse período ocorreu o processo conhecido como Desestalinização que foi liderado por Nikita Khrushchov.

O fim da União Soviética e o Tratado da Federação Russa

Em 1991, algo surpreendente aconteceu, a União Soviética deixou de existir e, dessa forma, a Rússia voltou a ser um estado independente. Embora tivesse boa aceitação internacional, perdeu muito do seu poder interno e externo. 

Vários países que antes estavam sob o escopo soviético se rebelaram por meio de conflitos. Tornou-se um medo crescente que surgissem cada vez mais processos separatistas dentro dos domínios russos, mesmo que esses territórios tivessem ocupação de mais de 80% de russos. 

No período do regime soviético, mais de uma centena de nacionalidades foram reconhecidas pelo Estado como repúblicas autônomas ou distritos, tudo dentro de um sistema federalista de acordo com uma divisão étnica. Contudo, algumas comunidades não receberam esse reconhecimento. 

De maneira geral, mesmo constituindo uma minoria étnica, os russos tinham representação desproporcional dentro dos governos locais. Teve início então importantes debates sobre a verdadeira autonomia ou independência dessas regiões em relação a Moscou, especialmente no começo dos anos 1990. Boa parte desses conflitos foi solucionada através da concessão de autonomia regional e de alguns privilégios tributários.

Em março de 1992, foi firmado o Tratado da Federação Russa por Boris Yeltsin e grande parte dos líderes das repúblicas autônomas e governos étnicos. Esse tratado era formado por três documentos de regulação dos poderes reservados ao governo central e as relações estabelecidas entre este e os organismos administrativos federais. Chechênia e Tartaristão, duas regiões com abundância em petróleo, se recusaram a assinar o tratado. 

A independência da Chechênia 

Dzhokhar Dudayev, general da Força Aérea soviética, junto a militantes chechenos, invadiu em 6 de setembro de 1991 uma sessão do Soviete Supremo Checheno-Inguchétio.

Nessa ação o grupo declarou a independência da Chechênia. O chefe do Partido Comunista da União Soviética em Grozny foi assassinado, sendo lançado brutalmente pela janela. O governo autônomo da região foi dissolvido. 

Dudayev foi eleito presidente alguns meses depois com forte apoio popular. O então presidente russo Boris Yeltsin enviou tropas para Grozny em novembro de 1991. As tropas foram frustradas pelos chechenos. Na sequência, foi declarada a independência em relação à União Soviética. 

A República Autônoma da Chechênia-Inguchétia se dividiu em duas em junho de 1992. A República da Inguchétia se integrou à Rússia. Já a Chechênia se declarou independente em 1993, assumindo o nome de República Chechena da Ichkeria. 

Sem negociação

Em 1994, Yeltsin negociou a autonomia do Tartaristão, mas não buscou estabelecer diálogo com a Chechênia. As relações deterioradas levaram a um conflito generalizado em 1994. No ano de 1996, a Chechênia continuava sendo a principal região separatista da Rússia. 

Em 1999, teve início um conflito denominado como a Segunda Guerra da Chechênia, também contra a Federação Russa. A independência da Chechênia não foi reconhecida internacionalmente. 

Essa é a história da Guerra da Chechênia. Aproveite para acessar outros posts do blog Hexag para conferir mais conteúdos informativos como este!

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