Explicando o Brexit

Nos últimos anos, muito se tem falado a respeito do Brexit, processo de saída do Reino Unido da União Europeia. Iniciado em 2017, esse processo foi concluído somente em 31 de janeiro de 2020. Após a oficialização, houve um período de onze meses no qual foram revisados acordos e tratados entre as partes para chegar a uma conclusão de como ficariam as relações econômicas.

A pandemia do novo coronavírus de 2020 afetou essas negociações e fez com que o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, optasse pela saída da União Europeia sem acordo. Porém, no dia 24 de dezembro de 2020 foi assinado um acordo entre as partes para manter os mercados de ambos abertos. Continue lendo para entender mais sobre o Brexit.

O que significa Brexit?

A palavra Brexit é composta da combinação de duas palavras: “Britain” (Bretanha) e “Exit” (saída). O termo é utilizado para caracterizar a saída do Reino Unido da União Europeia, processo que teve início a partir do referendo de 23 de junho de 2016. Os britânicos decidiram nesse referendo deixar o bloco econômico e político da Europa.

A complicada saída do Reino Unido da União Europeia

O ano de 2019 certamente foi o mais tumultuado no processo de saída do Reino Unido da União Europeia. As diferenças de pensamento entre os políticos britânicos tornou difícil chegar a um consenso de como essa saída deveria ser feita na prática. O plano de saída do bloco econômico e político deveria ser aprovado pelo Parlamento britânico.

No dia 13 de março de 2019, o Parlamento havia garantido que a saída não aconteceria sem um acordo. A proposta de saída sem acordo era fortemente defendida por membros do partido da então primeira-ministra Theresa May. Contudo, no dia 25 de março de 2019, o plano que havia sido apresentado por May para a saída do bloco foi rejeitado.

Sem um consenso no Parlamento, May precisou solicitar prorrogação do prazo à União Europeia. A data prevista para a saída foi 31 de outubro de 2019. Ao perceber que sua posição estava enfraquecida, a primeira-ministra pediu demissão do cargo. A legislação não previa a realização de novas eleições e sim a escolha de outro nome dentro do partido de Theresa May. Foi nesse momento que Boris Johnson assumiu o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido.

O Brexit na gestão de Boris Johnson

Boris Johnson se tornou conhecido por ser um defensor do chamado “Brexit duro”, ou seja, a saída do Reino Unido da União Europeia sem nenhum acordo entre as partes. Com o objetivo de pressionar os deputados, ele pediu à Rainha Elizabeth II que adiasse a abertura oficial do Parlamento, que ocorre em setembro. A soberana aceitou a sugestão e a abertura foi marcada para apenas 14 de setembro de 2019.

O reflexo dessa ação foi o protesto de milhares de pessoas nas ruas contra o “fechamento” do Parlamento. Mesmo com a pressão popular, Johnson não voltou atrás dessa posição, pois desejava impedir que a oposição se articulasse. Contudo, os primeiros debates realizados pelo premiê foram verdadeiros fracassos.

O Partido Conservador se viu em uma situação complicada, uma vez que perdeu um dos seus deputados e teve outros 21 suspensos por indisciplina. Novamente, a saída do bloco sem um acordo foi rejeitada. Para fortalecer a sua ideia, Johnson dissolveu o Parlamento e convocou novas eleições gerais. Houve uma esmagadora vitória para os conservadores, que se tornaram a maioria absoluta dos deputados.

Acordo do Brexit: a aprovação

16 de outubro de 2019 entrou para a história como o dia em que o Reino Unido conseguiu fechar um acordo para a sua saída da União Europeia. Foi necessária uma ampla negociação com os 27 países membros. Ficou garantida a livre circulação de pessoas e mercadorias entre a fronteira da Irlanda e Irlanda do Norte. Porém, o Reino Unido perde o seu status especial e passa a ser visto como um rival econômico do bloco.

Esse projeto foi aceito pelo Parlamento, mas os parlamentares se recusaram a debater o texto em apenas dois dias. Boris Johnson, então, se viu obrigado a pedir prorrogação de mais três meses do prazo para a União Europeia. A data fixada para o Brexit passou a ser 31 de janeiro de 2020.

Antecedentes do Brexit: Reino Unido na União Europeia

O objetivo da criação da União Europeia era manter a paz entre os países europeus. O ponto de partida do bloco foi a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), fundada em 1952. A CECA foi responsável pela união de países que foram rivais na Segunda Guerra Mundial: Alemanha, França, Itália, Holanda, Bélgica e Luxemburgo.

A comunidade foi ampliada tornando-se, em 1957, a Comunidade Econômica Europeia (CEE). Ao longo das décadas, o Reino Unido se manteve à parte, aceitando entrar para o grupo somente em 1973. Dois anos após a sua entrada, convocou um referendo para saber se a população desejava continuar no grupo, naquele momento a resposta foi sim.

Embora fizesse parte da União Europeia, o Reino Unido não participou dos seus dois maiores projetos: a criação do euro (moeda única) e o Espaço Schengen (que possibilita a livre circulação de pessoas).

O novo referendo

Durante o governo do primeiro-ministro David Cameron, teve início a campanha pelo Brexit. Desejando a reeleição, Cameron fez uma aliança política com o Partido da Independência do Reino Unido (UKIP). A contrapartida solicitada pelo partido foi a realização de um referendo para que a população votasse se desejava a permanência no bloco ou não.

Os argumentos do UKIP para desejar a saída eram de que a União Europeia suprimia a soberania do Reino Unido em assuntos econômicos e de imigração. O referendo foi realizado no dia 23 de junho de 2019 e o resultado foi: 51,9% a favor da saída do bloco contra 48,1% contra a saída.

Brexit: consequências econômicas

Confira, a seguir, as principais consequências econômicas do Brexit para o Reino Unido e para a União Europeia.

Consequências para o Reino Unido

Queda da libra esterlina

Um dia após o resultado do referendo, a libra esterlina apresentou queda forte, assim como o dólar neozelandês e o dólar australiano. A moeda manteve queda de valor em comparação ao dólar e ao euro.

Queda na bolsa e mercado imobiliário

Na semana do anúncio do resultado do referendo, a bolsa e o mercado mobiliário do Reino Unido tiveram forte queda. O governo britânico optou, então, por reduzir as taxas de juros, fazendo empréstimos bancários para a contenção da perda de capitais.

Saída de empresas

Inúmeras empresas mudaram suas sedes para outros países, como França e Holanda.

Consequências para a União Europeia

Perda de contribuição

Com a saída do Reino Unido do bloco, a União Europeia perde a sua contribuição monetária.

Renegociação

Será necessário renegociar todos os tratados comerciais com o Reino Unido.

Inspiração

O bloco teme que o Brexit possa inspirar outros países descontentes a fazerem o mesmo.

Irlanda do Norte

Há preocupação sobre como vai ficar a situação da Irlanda do Norte, que faz parte da União Europeia, porém, tem fronteiras com o Reino Unido.

O Brexit ainda terá mais capítulos ao longo da história, a partir de agora, considerando as relações pós-saída do Reino Unido do bloco.

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