É fato ou é fake? Conheça as maiores mentiras da história da humanidade

Atualmente, estamos — ou deveríamos estar — o tempo todo nos questionando: “é fato ou fake?”. Acontecimentos como a eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos, e o movimento antivacina, evidenciam o quanto as mentiras impactantes têm o poder de mudar o curso da história

Vivemos o auge do fenômeno conhecido como “pós-verdade”, em que não importa se um fato é verdadeiro ou não, só importa o seu impacto diante de uma grande audiência. No entanto, para quem pensa que fake news é algo do tempo contemporâneo, devemos esclarecer que não é bem assim.

Confira a seguir as grandes mentiras da história da humanidade. Com certeza você vai se surpreender!

Fato ou Fake: conheça as grandes mentiras da história da humanidade

Frases de efeito publicadas nas redes sociais costumam ser o suficiente para conduzir boa parte da audiência a acreditar em mentiras. Porém, muito antes de montagens circularem em aplicativos de troca de mensagens a humanidade já se via diante do impacto de grandes mentiras. Conheça abaixo as principais fake news da nossa história.

1. As fake news bizantinas de Procópio

Procópio de Cesárea foi um cronista e historiador bizantino do século VI. Uma das principais características do seu trabalho é ter fake news inseridas como verdades no meio dos fatos. Mais do que criar anedotas cotidianas no seu tempo, ele imortalizou muitas dessas mentiras no relato oficial da história do governo do imperador Justiniano. 

Autoritário e muito rigoroso em relação à cobrança de impostos dos mais pobres, Justiniano teve a sua morte celebrada após 38 anos de um governo conturbado. Porém, a história registrada segue por outro caminho ao falar desse imperador.

Os seis livros sobre a trajetória de Justiniano, escritos por Procópio, simplesmente apagaram detalhes escandalosos, exageraram as vitórias e fizeram do imperador um personagem muito mais simpático. Essas revelações secretas foram descobertas apenas após a morte de Procópio. 

2. Descoberta do Brasil

O Brasil é um país que tem suas próprias fake news desde, literalmente, o início do que se entende pela nação brasileira. Para começo de conversa, não é exatamente correto falar sobre descobrimento, pois os portugueses promoveram muito mais uma invasão, haja vista que havia milhões de nativos nesse solo. 

A história oficial do “descobrimento” do país conta com algumas mentiras, com destaque especial para duas. A primeira é a de que as embarcações de Pedro Álvares Cabral chegaram ao Brasil por acaso. A segunda fake news relevante dessa história está na ideia de que o navegador português foi o primeiro europeu em solo brasileiro. 

Atualmente, já se sabe que não tinha como Cabral e o rei de Portugal desconhecerem a existência do território. Um dos motivos disso é que o navegador não foi o primeiro português a chegar aqui.

Dois anos antes da chegada de Cabral, o navegador português Duarte Pacheco Pereira esteve nos territórios dos atuais Pará e Maranhão. O espanhol Vicente Yáñez Pinzón também esteve no litoral de Pernambuco em janeiro de 1500, alguns meses antes da data que se entende como o “descobrimento” do Brasil. 

3. Incêndio no Reichshtag alemão

Em 27 de fevereiro de 1933, um mês após a posse de Adolf Hitler como chanceler da Alemanha, ocorreu um incêndio no edifício em que funciona o parlamento alemão, o Reichshtag. Hitler percebeu a oportunidade para enrijecer o seu governo, transformando-o numa ditadura. Basicamente, ele alegou que o incêndio foi causado por Marinus van der Lubbe, um líder comunista. 

O incêndio foi tratado como parte de um grande plano de dominação comunista. Esse foi o passo determinante para o início da ditadura nazista na Alemanha. Muitos comunistas foram presos e isso permitiu que os nazistas se tornassem a maioria absoluta no parlamento. 

Marinus van der Lubbe foi executado e Adolf Hitler conseguiu a aprovação da Lei de Concessão de Plenos Poderes que concentrava o poder em suas mãos. Historiadores acreditam que o incêndio foi causado pelos próprios nazistas com o objetivo de promover o que se chama de “operação de bandeira falsa”, quando uma ação é atribuída ao inimigo para lhe causar prejuízos. 

4. Os “marmiteiros” do Brigadeiro Eduardo Gomes

Em 1945, a candidatura do Brigadeiro Eduardo Gomes foi derrubada com base em um boato. Ele concorria com o General Eurico Dutra, que tinha o apoio de Getúlio Vargas. Dutra venceu as eleições com uma “ajudinha” de uma fake news.

O brigadeiro não era muito popular entre a população mais pobre do Brasil. Valendo-se disso, o boato de que o candidato teria dito que “não precisava do voto dos marmiteiros” foi alardeado pela oposição.

A popularidade de Dutra cresceu ao passo que a população mais humilde, composta por trabalhadores que carregavam marmitas, foi incitada contra o brigadeiro. Contudo, essa frase nunca foi dita por Eduardo Gomes, ele até tentou contornar a situação, mas isso se mostrou impossível diante do apoio de Vargas à Dutra. 

5.  Armas de destruição em massa iraquianas

Em 2003, os Estados Unidos iniciaram uma guerra preventiva contra o Iraque. Para justificar essa ação, o então secretário de estado Colin Powell afirmou categoricamente diante do Conselho de Segurança da ONU que sabia da existência de armas de destruição em massa no Iraque. O secretário apresentou, inclusive, um Powerpoint com indicações de onde estavam e quais seriam essas armas. 

Tais informações haviam sido obtidas através de um informante chamado de “Curveball”. A sangrenta guerra iniciada pelo então presidente George W. Bush no Iraque se mostrou injustificável, haja vista que não foram encontradas armas de destruição em massa em solo iraquiano. 

Além disso, o informante Curveball (Rafid Ahmed Alwan al-Janabi) admitiu ter mentido para conseguir a ajuda dos americanos para libertar seu país do regime de Saddam Husseim. Para os norte-americanos, a verdade pouco importava, a guerra para eles tinha como motivação ser uma reação aos ataques de 11 de setembro, ainda que o Iraque não tivesse qualquer relação com o ocorrido. 

Viu como é importante pesquisar se é fato ou fake antes de acreditar ou repassar uma notícia?

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