A queda do Muro de Berlim

Sexta, 4 de Dezembro de 2020

A queda do Muro de Berlim

A queda do muro de Berlim ocorreu na passagem do dia 9 para o dia 10 de novembro de 1989 e se tornou um dos acontecimentos mais marcantes do século passado por abrir caminho para a reunificação da Alemanha e evidenciar o fim do bloco comunista. Continue lendo para entender melhor esse acontecimento e como ele impactou a Europa Oriental e o resto do mundo no fim da década de 1980.

A queda do Muro de Berlim: contextualização

O muro de Berlim não dividiu somente a Alemanha, se tornou um símbolo da Guerra Fria entre o bloco capitalista (liderado pelos Estados Unidos) e o bloco comunista (liderado pela União Soviética). Quando a Segundo Guerra Mundial acabou, em 1945, a Alemanha que havia sido derrotada foi dividida em quatro zonas de influência: francesa, britânica, norte-americana e soviética. A capital alemã, Berlim, também passou por essa divisão.

A Guerra Fria se intensificou e, com o aumento das tensões entre o bloco capitalista e o socialista, houve uma nova divisão da Alemanha em duas nações: Alemanha Ocidental (República Federal Alemã) e a Alemanha Oriental (República Democrática Alemã). Berlim, além de posição estratégica, era uma grande cidade, de maneira que passou a ser intensamente disputada entre os blocos. O resultado foi a divisão da capital e uma disputa que se estenderia por mais cinco décadas.

Plano Marshall

Os Estados Unidos identificaram o crescimento do bloco comunista e, como uma forma de estagnar esse processo de ascensão dos rivais, criaram o Plano Marshall. O objetivo desse plano era a reconstrução dos países europeus do Ocidente que enfrentavam grandes dificuldades devido à destruição deixada pela Segunda Guerra Mundial.

Berlim Ocidental (lado capitalista) se desenvolveu rapidamente com a injeção de capital para sua reconstrução. Observando tal crescimento econômico, não demorou para que parte da população de Berlim Oriental começasse a se mudar para o lado capitalista. Somente em 1953, um total de 331 mil pessoas se mudaram do lado oriental para o ocidental. No período entre os anos de 1948 e 1961, o número de mudanças foi de 2,7 milhões.

A construção do Muro de Berlim

Com o objetivo de conter o êxodo populacional, os governos de Berlim Oriental (comandada na época por Walter Ulbricht) e da União Soviética (sob o comando Nikita Kruschev) decidiram construir um muro de isolamento de Berlim Ocidental. Assim, o muro de Berlim foi construído na passagem do dia 12 para o dia 13 de agosto de 1961 e foi o símbolo da divisão do mundo entre os blocos capitalista e socialista por 28 anos.

Fatores que levaram à queda do Muro de Berlim

A década de 1980 foi marcada por uma forte crise econômica para o bloco socialista, situação que também se refletiu na Alemanha Oriental. O país estava com dívida externa e déficit comercial crescentes, sua infraestrutura estava perto de colapsar. Somado ao grave problema financeiro, a Alemanha Oriental ainda contava com um governo extremamente autoritário, algo que instigou ainda mais a população a se revoltar.

A polícia secreta, chamada Stasi, simbolizava a intensa repressão desse período na Alemanha Oriental, com a perseguição de opositores do governo e censura cultural. Movimentos de oposição começaram a ser organizados, mesmo em um cenário de intensa repressão política. Acontecimentos da Hungria e Polônia, outros países do bloco comunista, ajudaram a potencializar os movimentos contrários ao governo em 1989.

Hungria e Polônia

A Hungria decretou a abertura da sua fronteira com o Oeste em junho de 1989, basicamente, isso significava livre trânsito para as nações capitalistas. No mês seguinte, junho de 1989, cerca de 25 mil pessoas deixaram a Alemanha Oriental para ir até a Hungria e de lá se encaminharam para a Áustria, onde podiam solicitar asilo político na embaixada da Alemanha Ocidental.

Por sua vez, na Polônia, foi eleito em 1989 o primeiro governo não comunista desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Os acontecimentos nos dois países do bloco comunista deram origem a uma série de protestos na Alemanha Oriental, em particular nas duas maiores cidades do país, Berlim e Leipzig.

Outubro e novembro de 1989

Os protestos na Alemanha Oriental, que ocorrera durante o mês de outubro e início de novembro de 1989, só cresciam e se tornaram insustentáveis, gerando, assim, a demissão de muitos membros do governo. No dia 9 de novembro de 1989, Günter Schabowski, porta-voz da Alemanha Oriental, anunciou para a imprensa a nova lei de mobilidade de cidadãos. Essa lei determinava o fim das restrições na fronteira da Alemanha Oriental.

Equivocadamente, Schabowski disse que a lei entrava em vigor imediatamente, porém, ainda era necessário que a medida fosse aprovada pelo Parlamento. Esse anúncio fez com que milhares de pessoas se dirigissem aos postos fronteiriços exigindo entrar na Alemanha Ocidental.

Aproximadamente 100 mil pessoas se reuniram diante do muro, exigindo o endosso imediato do governo e, na passagem do dia 9 para o dia 10 de novembro, portando pás, picaretas, entre outras ferramentas, se puseram a derrubar a edificação. A queda do muro tornou-se o símbolo da reunificação da Alemanha.

Reunificação

Helmut Kohl, chanceler da Alemanha Ocidental e integrante do partido de centro-direita União Democrata-Cristã, foi o responsável pelo processo de reunificação do país. A formalização da reunificação se deu no dia 03 de outubro de 1990 e a abertura completa das fronteiras ocorreu no dia 1° de julho de 1991. O processo de queda do muro de Berlim e reunificação alemã foi celebrado com festas nas ruas.

Consequências da queda do Muro de Berlim

A queda do muro de Berlim tornou-se o principal símbolo do fracasso do bloco comunista do leste europeu e contribuiu para o seu fim. É importante salientar que o bloco já estava em um processo acelerado de queda, sendo o episódio da derrubada do muro mais um elemento.

O processo de modernização da porção leste da Alemanha foi um grande desafio para os governantes da Alemanha Ocidental. Ainda hoje há cidadãos que defendem a reconstrução do muro devido à existência de barreiras ideológicas que não podem ser derrubadas com pás.

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